sexta-feira, 18 de abril de 2014

18 de abril




Hoje é o Dia Nacional do Livro Infantil. Foi escolhido esse dia porque hoje também relembramos o dia do nascimento de Monteiro Lobato.

Não posso falar da minha infância sem falar dos livros. Muitos livros. Minha mãe sempre nos incentivou à leitura, e eu não decepcionei: lia vários livros, várias vezes, e eles eram meus companheiros na hora de dormir.

Lembro especialmente de três livros que continham algumas histórias da Turma do Sítio participando de eventos importantes: a viagem das 20.000 léguas submarinas, a Odisséia de Ulisses, Teseu enfrentando o Minotauro... havia, inclusive, uma navegação pelos versos do “Lusíadas”, de Camões.

Nessas histórias sorri, fiquei triste, me espantei com as idéias da Emília, me aconcheguei ao lado de Dona Benta... enfim, minha imaginação corria solta, graças ao talento de Monteiro Lobato.

Depois de crescida, ao estudar mais, descobri que Monteiro Lobato não era unanimidade, visto que alguns de seu relatos trazem cenas de racismo. Não tenho pretensões de entrar nesse mérito, mas quero dizer que se você tem crianças, sejam filhos, sobrinhos, netos , etc, dê um presente para a imaginação delas, dê um 
livro de Monteiro Lobato.

Posso dizer, ao lembrar da minha infância, usando um verso dos Lusíadas, que me interessei por causa de Monteiro Lobato:
“E tudo eram memórias de alegria”

Para mais informações, acesse:

http://www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/index2.html

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Meus encontros com Gabriel García Márquez



Muitos sites e blogs já estão fazendo a devida homenagem a esse escritor. Seria muita pretensão acreditar que eu poderia fazer melhor. No entanto, humildemente, venho relatar minhas impressões sobre este artesão da literatura.
Nosso primeiro encontro foi com a obra "Cem Anos de Solidão", um volume de 394 páginas desafiando-me a disciplina de começar e terminar um romance cujo enredo exigiria de mim uma leitura atenta, sem pressa.
O que eu não contava era com o envolvimento... sim, o envolvimento que aquela história tão cheia de personagens e voltas e reviravoltas acabou me conduzindo. Não conseguia acreditar, já chegando perto de terminar, que faltassem tão poucas páginas para o tanto que eu ainda imaginava que poderia vir a acontecer. E assim, num ritmo de alguém que nos conta um causo, e acerta o tom da voz, prendendo nossa atenção, ele fez desse romance uma grande surpresa em minha carreira como leitora.

"O leão e a libélula" de Alessandra Karla Leite

No última dia 15, recebemos a visita da escritora Alessandra Karla Leite, autora da história infanto-juvenil "O leão e a libélula" (Ed. Valer, 2013).
 
Ela nos contou um pouco da sua experiência de escritora que dá os primeiros passos na realização do sonho de publicar uma obra. Dificuldades, acertos e erros, o sentimento de gratificação quando percebe que sua história toca os corações de seus leitores.
 
Ser escritor não é nada fácil, ainda mais de obras voltadas para o público infanto-juvenil. Essa literatura deve ser observada com seriedade, pois são os pequenos e jovens leitores o seu foco. Trabalhar em seus textos valores como respeito, responsabilidade e cuidado como elementos que compõem a prática do amar é essencial. E esses valores estão bem retratados nesta história que aborda, também, as diferenças.
 
Assim, na semana que comemorarmos o Dia Nacional do Livro Infantil, e homenageamos Monteiro Lobato, ficamos agradecidos pela visita e os exemplares que agora compõem a nossa biblioteca, mas que logo, logo irão ganhar asas em busca de seus leitores.
 
Sucesso na sua jornada, querida Alessandra!
 

Café com Texto

Quem nunca ouviu falar dos cafés parisienses? Mesmo quem nunca pegou um avião, mas já folheou romances ou revistas cujo cenário em destaque era Paris, sabe do que estou falando.
 
 
 
 
 
 
 
Que tal a imagem de um espaço intimista e aconchegante (cujos tapetes da entrada tem por frase de recepção "Gentileza gera Gentileza), com livros (romances, poesias...), deliciosos lanches e bebidas variadas (obviamente, dentre elas, o querido café). Imaginaram que este lugar é em Paris? Não precisa ir tão longe. Aqui em Manaus, na antiga Avenida Paraíba, encontraremos esse cantinho charmoso e agradável: Café com Texto.
 
 
 
Ana Guerra, que fez Doutorado em Literatura Brasileira em Sorbonne (Paris) no ano de 2008, é o nome da empreendedora que apostou na paixão pelo café e o amor pelos livros num único lugar. E apostou mais ainda: que outras pessoas também gostariam de um lugar assim para encontrar amigos e amores. Apostou certo!
 
 
 
Como não se encantar com os títulos disponíveis para leitura local (havendo obras em duplicidade, pode levar, com o compromisso de devolver), ambiente saudosista (com quadros, esculturas que nos remetem ao passado) e atendimento cortês dos funcionários e da proprietária.
 
 
Sem contar a presença de Dom Quixote, que nos acompanha enquanto faz sua leitura, não permitindo que ninguém se sinta só neste ambiente. Com tantos encantos, não poderíamos deixar de indicar este lugar, que a cada detalhe nos remete ao amor pelo universo das letras, inclusive nas paredes.

 

Sua inauguração ocorreu na data de 14.02.2014 (Valentine´s Day), e já está no facebook onde as fotos de seus frequentadores confirmam a preferência.
 
 


Queremos agradecer essa iniciativa comercial com toque cultural, e convidar nossos leitores a visitarem. Prestigiem e aproveitem para folhear e se apaixonarem por algum livro enquanto se deliciam com uma boa bebida.

Local: CAFÉ COM TEXTO
Endereço: AV. HUMBERTO CALDERARO FILHO (ANTIGA PARAÍBA), N. 955
Horário: TERÇA A SÁBADO, DAS 14h00 ÀS 22h00
Telefones: 8414 4168 / 3236 5435
https://www.facebook.com/cafecmtexto

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Como escolher boa literatura para crianças?

Artigo publicado em Setembro de 2011 na Revista Emília, cuja temática é bem apropriada ao tema adotado para este mês, em homenagem ao Dia Nacional do Livro Infantil. Conheça o conteúdo do site também. Muita coisa interessante!

COMO ESCOLHER BOA LITERATURA PARA CRIANÇAS?
Buscando critérios para escolha de livros

POR Yollanda Reyes (*)

TRADUÇÃO: DOLORES PRADES

Essa é a pergunta mais frequente que os pais me fazem e não gosto de respondê-la em abstrato, pois se cada criança é diferente, os pais também são, e cada pessoa tem seus gostos, suas perguntas, suas maneiras de ler... Isso sem falar nas idades, porque temos incluídos nesse rótulo que os adultos denominam, genericamente, "crianças", desde os bebês até os adolescentes.

Mas essas também são categorias abstratas, porque um bebê pode gostar dos animais, enquanto outro pode preferir flores, e uma menina de dez anos pode odiar poemas, que outra criança adora. O mesmo ocorre com os romances de aventura, ou os que falam da vida real. O mesmo com os monstros e com as fadas. Alguns gostam de contos, outros, de histórias em quadrinhos. Alguns querem muitas ilustrações, outros, letras pequenas. E isso sem falar dos momentos, porque há livros para ler à noite e outros para ler durante o dia. Há livros para chorar e outros para rir. Alguns são perfeitos para responder àquela pergunta que não sai da nossa cabeça, enquanto outros nos deixam um monte de novas perguntas. Às vezes, precisamos de uma resposta e, às vezes, precisamos de mais perguntas.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

O primeiro livro a gente nunca esquece...

Alguns momentos nos marcam profundamente, conforme os sentimentos que estamos vivendo: o primeiro dia de aula, a primeira professora, o primeiro amor, o primeiro beijo... Para mim, dentre as experiências atinentes ao mundo do conhecimento, incluo neste rol a primeira vez que eu comprei um livro. O primeiro livro comprado e lido por mim, fruto da minha escolha, motivada pela curiosidade. Inesquecível, sem dúvida nenhuma. Graças a ele, o universo das letras impressas passou a ter um outro valor. Não era o mundo dos adultos ou das leituras obrigatórias: passou a ser o meu mundo.

Como toda criança, tinha a impressão de que tudo era muito grande a minha volta: os meus pais, a casa onde morávamos, o quintal. O fato de ser pequena, magrelinha e desengonçada, contribuía ainda mais para essa sensação. No meio de outras crianças, não tinha destaque: não era boa nas brincadeiras de bola (morria de medo dela, na realidade!); perdia mais bolinhas de gude do que conseguia ganhar; e se esconder, decididamente, nunca foi meu forte até hoje. Nas brincadeiras de competição, tinha pena da outra equipe quando perdia (uma breve amostra do mundo competitivo que  enfrentaria, mal sabia eu...), mas também lamentava quando era a minha que se encontrava nesta situação (será que eu não me dediquei o suficiente para ajudar a vencer?). E assim, tudo girava em minha volta, como tinha que ser em tão tenra idade.

Mas na escola, para meu espanto, percebi que conseguia ser boa em algo: fazer as tarefas de casa. Recebia elogios da professora por isso. Assim, consegui me sentir importante, ainda que fosse uma virtude que o grupo, do qual queria tanto fazer parte, não admirasse. Parte do tempo sentia-me como se fosse mera coadjuvante que vive sonhando com o papel principal do filme. Não entendia que cada pessoa tem seu próprio roteiro. Aprendi, no entanto, que escrever com uma letra bonita ou ler sem gaguejar eram atividades escolares que me rendiam uma massagem no ego.

Mas no ano de 1987, cursando a 2ª Série do 1º Grau (atual Ensino Fundamental), aconteceu algo que iria me acompanhar por alguns anos e refletiria por toda a minha vida. Li num livro de português o trecho de um romance: descrevia um menino que ia com os irmãos conhecer a nova casa. Chegando lá, cada um correu para escolher a sua árvore, não restando ao pequeno muitas opções, pois não fora tão rápido. Assim, sua irmã (de quem ele mais gostava) resolve ajudá-lo a procurar por uma. Encontraram um pé de laranja lima, pequeno e modesto, em nada se comparando às demais árvores frondosas e imponentes do quintal. Enquanto, inconformado, reclamava da má sorte, o pequeno pé de laranja lima começou a lhe falar, deixando-o assustado! Todavia, a curiosidade era maior do que o impulso de sair correndo aos berros. A partir daí, firmou-se um laço de amizade inigualável entre ele e o menino.
O trecho terminava aí.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

"Por que você devia doar os seus livros"?

Segue abaixo texto de Rodrigo Ghedin (http://www.rodrigoghedin.com.br/blog/doar-livros), na íntegra, pois cada palavra ressoa na proposta do Projeto Biblioteca Livre Ler é Viver.

Por que você devia doar os seus livros


Faz mais ou menos um mês, peguei um punhado de livros da estante, fui à biblioteca municipal e doei tudo. Uns 30 volumes, eu acho, de livros clássicos de filósofos e grandes pensadores até a coleção inteira de Harry Potter (hard cover, ainda!), além de alguns romances contemporâneos.

Ontem, numa conversa informal com amigos próximos e alguns familiares, esse assunto veio à tona e, para minha surpresa, fui execrado. Acharam absurda a minha ação, me chamaram de comunista (haha!) e… bem, reprovaram sem hesitação a minha doação para a biblioteca.
Questionei a eles o que havia de tão absurdo nisso e, principalmente, por que eu deveria manter os livros comigo — já devidamente lidos, inclusive por todos que estavam presentes. Do valor que gastei neles ao clichê de “guardar para mostrar aos filhos”, os argumentos rasos não foram muito além disso. Ah, e teve aquele terrível do “montar uma biblioteca particular é legal, fica bonito”.
Pois bem, surpresa: livros não são objetos de decoração. Ao menos, não deveriam ser. Livros são plataformas, meios de se contar histórias, para transmitir conhecimento. Aos meus filhos, caso um dia venha a ter algum, prefiro passar o exemplo do desprendimento e do bem coletivo ao do egoísmo e da ostentação. Os livros doados não sumirão da face da Terra; estarão ali, na biblioteca. Se não, outras cópias estarão espalhadas em outros cantos. Democratizar a leitura a torna mais acessível, não o contrário.

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