domingo, 7 de setembro de 2025

ícone simbólico da arte
Desativação deste blog e do projeto.

Grata a todos que acessaram e tentaram contato para doações de livros. Por motivos diversos, não foi possível dar continuidade ao projeto de forma virtual. Ele ainda existe no endereço físico, mas os interessados precisam deixar no local o livro que queiram doar, ou pegar o livro que esteja disponível. 

A ideia sempre foi que seria um projeto coletivo, mas na prática acabou não acontecendo assim. Um ou outro acabam fazendo o desapego, o que mantém as estantes com alguns livros disponíveis, mas nunca alcançou a marca de envolvimento e evolução que se esperava de um projeto tão incrível. Não quer dizer que não deu certo, só que não deu certo do jeito que eu imaginava quando comecei isto com a ajuda de amigos e colegas do trabalho. Aos poucos cada um foi seguindo sua rotina, e, principalmente depois da pandemia e do isolamento em 2020, surgiram outras prioridades. Embora já tenhamos voltado ao convívio sem máscaras, na realidade parece que o distanciamento ainda existe. Marcas de vivências traumáticas. Logo, o projeto que ainda não tinha raízes fortes, brotou mas não conseguiu crescer e florescer como deveria. 

Todavia, o fim do projeto não significa que outro não possa nascer. Por ora só quero agradecer, pois começar isto foi um fôlego para a minha Alma que na época estava sem ar. Ainda estou sem saber muito bem para onde seguir, mas já consigo respirar e assim tentar repensar meus passos e visualizar possibilidades. Há dias e dias, bons e ruins, e muitos que são somente dias que seguem. Mas todos são oportunidades de crescimento e aprendizagem.

Além do mais, é inegável que a leitura é transformadora, então o que desejo é que, de alguma forma, este projeto tenha alcançado alguém e despertado o interesse em ler algumas das obras que foram resenhadas aqui. Assim como inspirado a ideia de doar livros e manter a corrente do bem que é levar conhecimento a quem não pode fazer a escolha de comprar um livro porque a sobrevivência grita mais alto.

Agradeço de coração por tudo. O projeto está inativado mas não significa que ele não possa viver de outras formas.

Abraços,

Leila Maria Flesch.
07/09/2025

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Resenha: O oceano no fim do caminho (Neil Gaiman, 2013)

Intrínseca (2013), 208 páginas
Quando tomei conhecimento da existência deste livro e tive a oportunidade de adquiri-lo, uma única frase se passou pela minha mente: "É do Neil Gaiman!". Sou fã desse autor há anos por causa de Sandman, sua obra-prima em formato de história em quadrinhos. Outra joia dele é Stardust, que inspirou um filme britânico de sucesso, frequentemente reprisado na Globo.

A narrativa, bastante introspectiva, é construída a partir das reminiscências do protagonista (cujo nome não nos é apresentado) sobre um período de sua infância muito feliz e, ao mesmo tempo, perturbador, durante o qual ele conheceu e conviveu com as mulheres Hempstock - em especial, Lettie, (aparentemente) alguns anos mais velha do que ele. Ao se sentar à margem do laguinho que Lettie chamava de oceano, as recordações voltam à tona, como se tivessem sido subitamente soltas, após terem estado presas a uma pedra no fundo do lago. Poucos trechos falam sobre o antes e o depois dessa época. O restante da vida do personagem, tanto criança como adulto, parece ter sido marcado pela solidão.

Neil Gaiman (1960 - ...)
O primeiro contato do protagonista com as Hempstock se dá de forma concomitante ao início de uma sucessão de eventos sobrenaturais e assustadores, em meio aos quais a amizade com Lettie cresce e floresce. Com o desenrolar dos acontecimentos, as duas crianças vão manifestando qualidades que não sabiam que tinham. Uma das mensagens da história é a de que não podemos reter as pessoas queridas; precisamos deixar que elas passem e se transformem, quando chegar a hora, e devemos seguir por nossas próprias estradas de coração aberto, levando apenas os bons sentimentos e qualidades despertados. Outra mensagem deixada pelo livro é a de que a verdadeira essência de cada um permanece, apesar de todas as transformações ocorridas.

As Hempstock são criaturas especiais, bastante misteriosas. Fiquei com a sensação de que muito mais poderia ter sido contado sobre elas. Mas Neil Gaiman costuma ser assim mesmo: joga a ponta de um novelo reluzente, que o leitor, se quiser, deve continuar puxando por conta própria. De qualquer forma, a história é do tamanho que precisa ser, exatamente como o oceano de Lettie. Uma fábula curta para aquecer o coração de adultos, que nos fala de infância, magia e amizade.

Por Mariana Piacesi

sexta-feira, 13 de março de 2015

"Book Lovers": Feira de Livros em Manaus, até 18 de março (quarta-feira)

Universo da leitura

Como incentivo ao universo da leitura, até 18 de março o Amazonas Shopping, no  bairro Chapada, Zona Centro-Sul da capital, oferece a feira de livros ‘Book Lovers’. O evento é realizado na praça central do mall, de segunda a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 14h às 21h.

São mais de 1.500 títulos infantis e infantojuvenis disponíveis, com preços a partir de R$ 3. A lista incluiu clássicos da literatura, como ‘Helena’, de Machado de Assis, ‘Amor de Perdição’, de Camilo Castelo Branco, e ‘Inocência’, de Visconde de Taunay, além de contos de fadas.

Os fãs da Barbie têm acesso ao Barbie Music Player, com cd players e quatro pequenos CDs, ao custo de apenas R$ 50. Já a coleção ‘Monteiro Lobato – Conta Outra Vez’, da Editora Globo, está cotada em R$ 60. O preço máximo na feira é de R$ 90.

Os visitantes também serão agraciados com atividades culturais durante os domingos do período de feira.

Em 8 de março, o Grupo Metamorfose contou a história da ‘Sopa de Pedra’, que aborda a saga de um viajante e sua intrigante receita. O horário de ‘embarque’ nesta aventura começa a partir das 16h.

Em 15 de março, também às 16h, os clientes do Amazonas Shopping poderão ouvir a obra de Chico Buarque de Holanda, Chaupezinho Amarelo. A leitura e interpretação do Grupo Metamorfose é feita na ‘área Book Lovers’, espaço especialmente preparado para que os clientes possam ler livros e curtir as atividades.

Fonte:

http://www.emtempo.com.br/shoppings-de-manaus-aumentam-mix-de-lojas-e-apostam-em-eventos/

quarta-feira, 11 de março de 2015

Concurso Permanente de Literatura Infanto-Juvenil - Eliane Ganem

Concurso Permanente de Literatura Infanto-Juvenil 

Regulamento

Este Concurso tem por objetivo incentivar a literatura infanto-juvenil, criando a possibilidade de lançar no mercado textos de boa qualidade de novos escritores, e também daqueles que já escrevem há algum tempo, mas que por falta de oportunidade não encontram espaço para publicação de seus textos. Não se pretende auferir lucros de qualquer espécie com este Concurso, sendo que o intuito único é o de revelar novos e bons autores.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Prêmio Off Flip de Literatura 2015

Estão abertas até 24 de março de 2015 as inscrições para a 10ª edição do Prêmio Off Flip de Literatura, que oferecerá aos vencedores R$ 26 mil no total, além de estadia em Paraty durante a FLIP, passeio de escuna e cota de livros. Os textos serão avaliados por escritores de expressão no cenário literário brasileiro e os vencedores participarão de mesa de debate na Off Flip das Letras. Os selecionados em conto e poesia serão publicados em coletânea e os autores das obras vencedoras no gênero infantojuvenil firmarão contrato de edição com o Selo Off Flip. O sarau de premiação acontecerá no Centro Cultural SESC Paraty no dia 4 de julho, durante a Festa Literária Internacional de Paraty.
 
Acesse o regulamento e participe!
 
 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Prêmio Literário SESC 2015

Inscrições abertas!

Estão abertas, até o dia 01 de março, as inscrições para o Prêmio Sesc de Literatura 2015, categorias contos e romance. Esse ano a novidade é que a inscrição será totalmente online. O livro será enviado (em formato Word) através de um formulário disponível aqui.
 
Poderão concorrer escritores brasileiros e estrangeiros, residentes no Brasil, com mais de 18 anos. Cada concorrente poderá participar com apenas uma obra por categoria. O livro deve ser inédito, não valem os já publicados, mesmo que apenas na internet. A obra na categoria conto deverá ter entre 140 a 400 mil caracteres e na categoria romance entre 180 e 600 mil caracteres. A inscrição gera um código identificador automaticamente e, com esse, o inscrito poderá acompanhar o processo de avaliação. Os vencedores terão as obras publicadas pela editora Record com uma tiragem inicial de dois mil exemplares.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

V Prêmio Literário Portal dos Amigos do Livro 2015

 
O Portal Amigos do Livro informa que as inscrições para o V Prêmio Literário de Poesia Portal Amigos do Livro 2015 estão abertas.
 
REGULAMENTOO Concurso tem por objetivo descobrir novos talentos e promover a literatura brasileira. Na edição de 2015 contemplará o gênero POESIA. O Tema é livre e a inscrição grátis. Poderão participar autores brasileiros, residentes ou não no País, maiores de 16 anos.

Cada Autor poderá participar com 1 (uma) POESIA (inédita), em língua portuguesa, contendo obrigatoriamente um título. Não serão aceitas poesias coletivas, com mais de um autor.

Inédita - Que ou o que não foi publicado não importando a plataforma: papel, arquivo digital, sites, blogs, e-books e mídias sociais. A editora fará busca na Internet antes de divulgar o resultado oficial.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

11º Prêmio Barco a Vapor 2015 (literatura infantil e juvenil)

Prêmio Barco a Vapor (Premio El Barco de Vapor) é promovido pela Fundação SM nos nove países onde o Grupo SM atua: Brasil, Chile, México, Argentina, Porto Rico, República Dominicana, Colômbia, Peru e Espanha. A Fundação é o braço do Grupo SM responsável pela realização do concurso.

A iniciativa, que surgiu na Espanha em 1978, visa revelar novos autores, estimular a criação literária nacional e propiciar aos jovens leitores o acesso a textos inéditos e de qualidade. Além de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) como adiantamento de direitos autorais, o vencedor tem seu livro publicado na coleção Barco a Vapor, de Edições SM.

No Brasil, o Prêmio existe desde 2005 e pelo 11º ano consecutivo é possível inscrever-se para uma das mais importantes distinções nacionais concedidas à literatura infantil e juvenil.

Inscreva seu original e participe! Acesse o regulamento!

Inscrições prorrogadas até 18 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Resenha: A senhoria (Fiódor Dostoiévski, 1856)

Adicionar legenda
"Por fim não pôde mais resistir; todo o seu peito começou a tremer, num átimo ele sucumbiu a um espasmo de uma doçura inusitada e, soluçando, inclinou a cabeça escaldante sobre o ladrilho gelado da igreja. Não ouvia nem sentia nada, além da dor no coração, que agonizava num doce tormento."

Prezado leitor, voltamos a lhe apresentar mais uma obra do escritor russo Dostoiévski. Como bem sabes, resenhamos Gente Pobre, e depois O Duplo, tentando seguir a ordem cronológica das publicações das obras. Assim, esperamos que notem a evolução deste escritor tão conhecido pelos romances Crime e Castigo e Irmãos Karamazov (vamos torcer que neste ano consigamos resenhar estas obras!).

Quem leu O Duplo, notará uma mudança de estilo, embora ainda perceba o tom intimista e psicológico do escritor. Todavia, o viés desta obra se assemelha mais ao de Gente Pobre

domingo, 8 de fevereiro de 2015

2015 leituras para vocês!

O ano demorou para chegar para nós, mas chegou! Férias, compromissos... como iríamos trabalhar no blog este ano... enfim, muita coisa para organizar e planejar. Em decorrência dessa reflexão, a frequência das resenhas será diminuída. Por outro lado, tentaremos trazer mais notícias do meio literário, seja de lançamentos, feiras de livros ou concursos que aconteçam Brasil afora.
 
Não deixaremos de publicar resenhas; afinal, é por intermédio delas que vocês, leitores, podem saber de nossas impressões sobre os livros lidos. Geralmente é por indicação de alguém que acabamos decidindo ler este ou aquele título. O propósito da resenha é justamente esse: atiçar a curiosidade e aproximá-los dos clássicos.
 
Temos também outros projetos que desejamos lhes apresentar, mas ainda não será agora. Mas estão na pauta de prioridades.
 
Por fim, desejamos um ano de muitas leituras, de excelentes livros, e, inevitavelmente, de grandes aprendizagens. É acreditando no poder de transformação que a leitura faz, no íntimo de cada um de nós, que apostamos na manutenção deste blog e da Biblioteca Livre. Por acreditarmos que LER É VIVER!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Resenha: Beethoven (Edmund Morris, 2005)

Objetiva (2005), 287 páginas
"Ela evocava um homem tão possuído pela música que trabalhava do amanhecer ao anoitecer, quase sempre esquecendo de comer; sem amigos por escolha própria; inspirado mais pelo ritmo das palavras do que por seu significado; que tinha confiança absoluta no valor duradouro da arte e dizia que a música era 'a mediadora entre a vida da mente e a dos sentidos'." (Impressões de Bettina sobre Beethoven, em carta a Goethe)

Premiado autor de biografias, o queniano Edmund Morris dedicou 50 anos de sua vida a estudar a vida e a obra da "mente mais possante na história da música", Ludwig Van Beethoven (1770 - 1827), cujo nome é sinônimo de genialidade não só no Ocidente mas em todo o mundo. Daí o subtítulo, "O compositor universal", desta breve mas pungente biografia que é "a história de uma vida, e não uma pesquisa sobre a obra de Beethoven". Como o autor diz no prólogo, "a universalidade de Beethoven, [deve-se a] sua habilidade de englobar a ampla gama da emoção humana, desde o terror da morte ao amor à vida - e a metafísica mais além -, reconciliando todas as dúvidas e conflitos em uma catarse de som". Movido pela "grandeza de suas aspirações", o mestre alemão "[sentia] que compunha [...] para a comunidade humana". A "intemporalidade de Beethoven", "sua originalidade [que] o impedia de repetir-se", tornaram-no, dentre os grandes compositores, "o mais duradouro em seu apelo a diletantes e intelectuais".

sábado, 13 de dezembro de 2014

Poesia: "O outro Brasil que vem aí" (Gilberto Freyre, 1926)

O outro Brasil que vem aí (*)

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e das regiões.
As mulheres do Brasil em vez de cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores
          [europeus e norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar)
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalhem por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos desse Brasil que vem aí.

(*) Gilberto Freyre (extraído da obra Talvez Poesia, Rio de Janeiro, José Olympio, 1962), autor de Casa Grande e Senzala (leitura obrigatória para quem quer saber um pouco sobre a formação da nação brasileira).

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Resenha: Jesus, o Filho do Homem (Khalil Gibran, 1928)

Martin Claret (2014), bolso, 165 páginas
"Mas esse homem, Jesus, esse Nazareno, Ele falou de um Deus tão vasto que não se parece com a alma de qualquer homem, sábio demais para punir, amoroso demais para lembrar os pecados de todas as Suas criaturas. E esse Deus do Nazareno irá passar através dos limiares da consciência dos filhos da terra e sentará à lareira deles e será uma bênção no interior de seus muros e uma luz sobre o caminho deles." (Um filósofo persa em Damasco)

O que um muçulmano tem a ver com Jesus? Essa é uma pergunta que encerra duas ignorâncias fundamentais. A primeira, a do desconhecimento de que o Islã vê Jesus (em árabe ʿĪsā) como um mensageiro de Deus de uma maneira especial, talvez até mais que Maomé, uma vez que seu nome aparece mais vezes no Alcorão do que o do Profeta, e atribuem-se a ele qualidades sobre-humanas que Maomé jamais arrogou a si mesmo. A segunda, de que Khalil Gibran (pronuncia-se, aproximadamente, /Jubrã/), embora nascido no Líbano, veio de família cristã maronita, intimamente ligada à Santa Sé da Igreja Católica, religião que desempenha importante papel cultural e político na história de seu país, por exemplo, na chefia do estado (com duas exceções, desde o Pacto Nacional de 1943, todo presidente do Líbano é maronita) e na língua siríaca empregada na liturgia, dialeto originado do idioma que teria sido falado por Jesus, o aramaico. Gibran recebeu também influência do Islã, em especial dos sufis (místicos muçulmanos) e da Fé Bahá'í, tendo, portanto, uma formação religiosa multi-confessional.

É com grande interesse que volvemos a atenção para o que o autor do mundialmente famoso "O profeta" tem a dizer sobre Jesus, nessa obra construída como uma coletânea de 77 depoimentos (fictícios) de testemunhas da época de Cristo, amigos, familiares, opositores, etc., em prosa recendendo a poesia, acrescida do 78°. testemunho, de "um homem do Líbano, dezenove séculos depois" - ele mesmo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Resenha: Fahrenheit 451 (Ray D. Bradbury, 1953)

Ed. Globo (2009), 256 páginas
"E pensei nos livros. E pela primeira vez percebi que havia um homem por trás de cada um dos livros. Um homem teve de concebê-los. Um homem teve de gastar muito tempo para colocá-los no papel. E isso nunca havia me passado pela cabeça."

Fahrenheit 451, "a temperatura na qual o papel do livro pega fogo e queima", é um clássico da distopia, assim como "Admirável mundo novo", "Laranja mecânica" e "1984". Nesta obra, Bradbury, conhecido por seus livros de ficção científica, conta uma história futurista na qual a maior tecnologia já desenvolvida pela humanidade é sistematicamente eliminada a pretexto da garantia da felicidade da população: os livros são queimados, paradoxalmente, por bombeiros, um dos quais Montag, o protagonista que enunciou a citação acima.

Huxley lidou com o (ab)uso da Ciência, principalmente da Genética, para a maximização do prazer de viver; Burgess, com o emprego do condicionamento neopavloviano (lavagem cerebral) para combate à criminalidade; Orwell descreve uma sociedade em que o mal (tudo o que contraria as diretivas do Partido) é "vaporizado", em que a história é um eterno palimpsesto, apagada e reescrita, e o controle extremo sobre as pessoas visa reformar a própria mente, tornando qualquer antagonismo ao poder tecnicamente impensável. Bradbury escreve sobre a ponte que liga nossos dias a esses prováveis futuros, que, se ainda nos parecem hoje lugar (-topia) que dificilmente poderíamos aceitar habitar (dis-), não parecem inverossímeis alternativas de amanhã dados os passos que a sociedade já tem dado em direção a ele: a busca de prazeres imediatos ("modernidade líquida", segundo o filósofo Zygmunt Bauman), caracterizada em "Fahrenheit 451" pela substituição dos livros por mídias simplificadas (simplistas) e vazias, como a TV interativa. Afinal, sempre incomodou que os livros tenham "consciência demais do mundo".

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Resenha: Depois da morte (Léon Denis, 1889)

FEB (26ª. ed., 2007), 336 páginas
"Quando a Química nos ensina que nenhum átomo se perde, quando a Física nos demonstra que nenhuma força se dissipa, como acreditar que esta unidade prodigiosa em que se resumem todas as potências intelectuais, que este eu consciente, em que a vida se desprende das cadeias da fatalidade, possa dissolver-se e aniquilar-se?" (grifo do autor).

Essa foi a grande questão que o francês Léon Denis perseguiu desde a juventude. Autodidata que afundava nos livros, aos dezoito anos se deparou, por acaso, com "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec, que direcionou sua vida para o campo do experimentalismo psíquico, da filosofia espírita e para o trabalho de defesa e divulgação da Doutrina, que, na França, lhe rendeu o epítome de "Apóstolo do Espiritismo". De cidade em cidade, muitas vezes a pé, com cajado na mão, Denis realizou palestras e conferências, e escreveu brochuras sobre a existência de Deus, as bases lógicas e empíricas da vida após a morte e as implicações morais daí decorrentes. Aos 43 anos, Denis publicou "Depois da Morte" (Après la Mort), que sintetiza sua bandeira de luta, uma "filosofia serena e profunda", que moveu um enlutado ateu a se expressar desta forma: "Li 'Depois da morte' e chorei as lágrimas mais doces de minha vida [...] Gostaria de ser rico para editá-lo aos milhões e vê-lo em todas as mãos, sobre toda a Terra. Nada jamais será escrito em qualquer língua que seja tão grande e tão belo" (Em "Léon Denis,  L'Apôtre du Spiritisme - Sa vie, son œuvre").

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Resenha: Reencarnação - vinte casos (Ian Stevenson, 1974)

Vida & Consciência (2011), 520 páginas
"No dia 19 de janeiro de 1951, Ashok Kumar, conhecido como Munna, filho de seis anos de Sri Jageshwar Prasad, [...] foi atraído para longe do local onde brincava e brutalmente assassinado, com uma faca ou lâmina, por dois vizinhos [...] Alguns anos depois, [o pai] ficou sabendo que um menino nascido em outro Distrito de Kanauj, em julho de 1951 [...] havia descrito a si mesmo como o filho de Jageshwar, um barbeiro do Distrito de Chhipatti, e havia dado detalhes de 'seu' assassinato, dizendo o nome dos assassinos, o local do crime e outras circunstâncias da cidade e da morte Munna" (O caso de Ravi Shankar).

Foi no livro "A explicação do inexplicável" (Explaining the Unexplained: Mysteries of the Paranormal, 1982) que tomei conhecimento das pesquisas do psiquiatra canadense Ian Stevenson a respeito da reencarnação. O psicólogo britânico Carl Sargent e o psiquiatra alemão Hans Jürgen Eysenck apresentam naquela obra diversas evidências (ou pelo menos indícios intrigantes) da sobrevivência da alma após a morte do corpo físico, como os fenômenos de poltergeist, as experiências de quase morte (EQM), experimentos do tipo ganzfeld (percepção extrassensorial), comunicações mediúnicas e, finalmente, relatos de lembranças de vidas passadas investigados por diversos cientistas ao redor do mundo, mas com destaque para o pioneirismo de Stevenson. "O que mais qualifica o trabalho de Stevenson é seu profissionalismo próximo do intimidante", comentam. De fato, em cerca de 50 anos de diligência, mais de 2.500 casos foram catalogados com cuidado obsessivo. Embora cauteloso quando aos dados levantados nesse incipiente campo de pesquisa, Stevenson chega a afirmar com segurança que "alguns dos [vinte] casos [deste livro] fazem muito mais do que sugerir a reencarnação: parecem oferecer boas provas".

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Resenha: E a vida continua... (Chico Xavier, 1968)

FEB (2007), 296 páginas
"Somos viajores do berço para o túmulo e do túmulo para o berço, renascendo na Terra e na Espiritualidade, tantas vezes quantas se fizerem precisas, aprendendo, renovando, retificando e progredindo sempre, conforme as Leis do Universo, até alcançarmos a Perfeição, nosso destino comum..."

Com este livro, o médium Chico Xavier encerra a série de 13 obras ditadas pelo espírito André Luiz, batizada pela Federação Espírita Brasileira (FEB) de "A vida no mundo espiritual", que trouxe diversas "atualizações" à Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec em meados do século XIX. Aliás, "E a vida continua" traz uma homenagem ao primeiro centenário do livro "A Gênese", última obra do pensador francês, de 1868, traçando um paralelo com o fechamento da codificação kardecista. Aqui, após 24 anos desde o lançamento de "Nosso Lar" (1944), André Luiz também fecha sua contribuição sistemática ao Espiritismo com revelações acerca da chamada erraticidade (a vida do espírito entre a morte do corpo físico e o renascimento em nova encarnação); do intercâmbio entre os dois planos, físico e espiritual; dos processos mediúnicos e obsessivos; acerca da reencarnação e da justiça divina; e, como de praxe na literatura espírita, também traz exemplos da aplicação prática dos ensinos de Cristo, tendo em vista o progresso espiritual dos leitores. Particularmente, trata de questões ligadas ao amor, pois "estamos situados na faixa de expressiva transição, a transição do amor narcisista para o amor desinteressado", e aí Emmanuel, guia espiritual do médium, reconhecendo a relevância do tema, prefacia "o novo livro de André Luiz na certeza de que surpreenderemos em suas páginas muitos pedaços de nossa própria história".

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Resenha: Muitas vidas, muitos mestres (Brian L. Weiss, 1988)

Ed. Sextante (2009), 144 páginas
"Não temia mais a minha própria morte ou a não-existência. Tinha menos medo de perder os outros, mesmo sabendo que iria sentir falta deles. Como é poderoso o medo da morte! [...] Ficamos tão preocupados com nossas próprias mortes que esquecemos o verdadeiro objetivo de nossas vidas."

Neste livro, o psiquiatra Brian Leslie Weiss apresenta um caso de terapia que mudou não só a vida de sua paciente como a sua própria. Formado em Yale, uma das 10 melhores universidades do mundo (52 laureados Nobel), Weiss "fazia parte da nova geração de psiquiatras biologistas", focado na nova ciência da química cerebral, moldando-se "aos estreitos caminhos do conservadorismo da minha profissão". Até então havia escrito 37 artigos científicos, e foi com visão de cientista que teve de lidar com fatos para os quais não tinha nenhuma explicação, reconhecendo que "há muitas coisas sobre a mente humana que se encontram além de nossa compreensão". 

Essa reviravolta começou quando o doutor assumiu o caso de Catherine, uma jovem nervosa, sobrecarregada de temores, que "para se sentir segura, dormia dentro do armário embutido do apartamento em que morava", que tinha pesadelos, crises de sonambulismo, fobias... Sem encontrar solução para o sofrimento dela, após apelar para todos os recursos ortodoxos de sua área, Weiss recorreu à hipnose, para vasculhar lembranças reprimidas de infância da paciente. E foi voltando no tempo, voltando e voltando que se deparou com revelações e acontecimentos que não só ofertariam um novo rumo à Psiquiatria como uma nova visão da vida e da morte.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Resenha: A morte de Ivan Ilitch (Liev N. Tolstói, 1886)

Ed. Nova Fronteira (2013), 133 páginas
"E viu de forma espantosamente clara que [sua existência] não passava de um imenso e horrendo embuste, que escondia a vida e a morte."

Este livro me foi apresentado não como Literatura mas como Filosofia. Assistia a um vídeo de um curso da The Teaching Company com o sugestivo nome de "The meaning of Life" [O sentido da vida] em meio de cujas 36 lições figurava "Tolstói - Será a vida cotidiana a coisa real?". Foi aí que o professor Jay L. Garfield mencionou "A morte de Ivan Ilitch" e despertou em mim um renovado interesse na obra do escritor russo, havia muito perdido na traumática leitura de "Ana Karenina".

Ao contrário de seu livro mais famoso, "A morte de Ivan Ilitch" é um conto fisicamente curto, de cerca de 70 páginas nesta edição de bolso, mas que porta uma mensagem a ser lida pelo resto da vida. E, aliás, é justo sobre essa releitura, mais da própria existência que do texto impresso, de que trata essa novela de 1886, cujas páginas continuam além da encadernação, dia a dia, em nosso viver desesperadoramente finito.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Resenha: "O duplo" (Fiódor M. Dostoiévski, 1846)

Editora 34 (2011), 256 páginas
"O amigo noturno não era senão ele mesmo - o próprio senhor Golyádkin, outro senhor Golyádkin, mas absolutamente igual a ele -, era, em suma, aquilo que se chama o seu duplo, em todos os sentidos..."

Estamos no ano de 1844, e o nosso jovem escritor Fiódor Dostoiévski escrevera o romance epistolar Gente Pobre, que foi aclamado pela crítica literária russa como sinal de uma revelação. Após publicação deste romance, Dostoiévski é alçado à celebridade literária, situação que, de certa forma, atrapalhará a avaliação das obras seguintes. E é esta obra, objeto da presente resenha, que será seu segundo trabalho. 

Um ano depois do sucesso do seu primeiro romance, temos O Duplo que refletirá o traço peculiar na obra do autor, que é a análise psicológica dos seus personagens. Todavia, tal fator que marcará seu estilo, não foi recebido muito bem pela crítica dessa vez. Os entusiastas da análise social presente em Gente Pobre olham enviesado para o enredo d´O Duplo, onde boa parte da narrativa se atém aos pensamentos e devaneios do protagonista.

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