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| Martin Claret (2014), bolso, 165 páginas |
"Mas esse homem, Jesus, esse Nazareno, Ele falou de um Deus tão vasto que não se parece com a alma de qualquer homem, sábio demais para punir, amoroso demais para lembrar os pecados de todas as Suas criaturas. E esse Deus do Nazareno irá passar através dos limiares da consciência dos filhos da terra e sentará à lareira deles e será uma bênção no interior de seus muros e uma luz sobre o caminho deles." (Um filósofo persa em Damasco)
O que um muçulmano tem a ver com Jesus? Essa é uma pergunta que encerra duas ignorâncias fundamentais. A primeira, a do desconhecimento de que o Islã vê Jesus (em árabe ʿĪsā) como um mensageiro de Deus de uma maneira especial, talvez até mais que Maomé, uma vez que seu nome aparece mais vezes no Alcorão do que o do Profeta, e atribuem-se a ele qualidades sobre-humanas que Maomé jamais arrogou a si mesmo. A segunda, de que Khalil Gibran (pronuncia-se, aproximadamente, /Jubrã/), embora nascido no Líbano, veio de família cristã maronita, intimamente ligada à Santa Sé da Igreja Católica, religião que desempenha importante papel cultural e político na história de seu país, por exemplo, na chefia do estado (com duas exceções, desde o Pacto Nacional de 1943, todo presidente do Líbano é maronita) e na língua siríaca empregada na liturgia, dialeto originado do idioma que teria sido falado por Jesus, o aramaico. Gibran recebeu também influência do Islã, em especial dos sufis (místicos muçulmanos) e da Fé Bahá'í, tendo, portanto, uma formação religiosa multi-confessional.
É com grande interesse que volvemos a atenção para o que o autor do mundialmente famoso "O profeta" tem a dizer sobre Jesus, nessa obra construída como uma coletânea de 77 depoimentos (fictícios) de testemunhas da época de Cristo, amigos, familiares, opositores, etc., em prosa recendendo a poesia, acrescida do 78°. testemunho, de "um homem do Líbano, dezenove séculos depois" - ele mesmo.

