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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Resenha: A senhoria (Fiódor Dostoiévski, 1856)

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"Por fim não pôde mais resistir; todo o seu peito começou a tremer, num átimo ele sucumbiu a um espasmo de uma doçura inusitada e, soluçando, inclinou a cabeça escaldante sobre o ladrilho gelado da igreja. Não ouvia nem sentia nada, além da dor no coração, que agonizava num doce tormento."

Prezado leitor, voltamos a lhe apresentar mais uma obra do escritor russo Dostoiévski. Como bem sabes, resenhamos Gente Pobre, e depois O Duplo, tentando seguir a ordem cronológica das publicações das obras. Assim, esperamos que notem a evolução deste escritor tão conhecido pelos romances Crime e Castigo e Irmãos Karamazov (vamos torcer que neste ano consigamos resenhar estas obras!).

Quem leu O Duplo, notará uma mudança de estilo, embora ainda perceba o tom intimista e psicológico do escritor. Todavia, o viés desta obra se assemelha mais ao de Gente Pobre

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Resenha: A morte de Ivan Ilitch (Liev N. Tolstói, 1886)

Ed. Nova Fronteira (2013), 133 páginas
"E viu de forma espantosamente clara que [sua existência] não passava de um imenso e horrendo embuste, que escondia a vida e a morte."

Este livro me foi apresentado não como Literatura mas como Filosofia. Assistia a um vídeo de um curso da The Teaching Company com o sugestivo nome de "The meaning of Life" [O sentido da vida] em meio de cujas 36 lições figurava "Tolstói - Será a vida cotidiana a coisa real?". Foi aí que o professor Jay L. Garfield mencionou "A morte de Ivan Ilitch" e despertou em mim um renovado interesse na obra do escritor russo, havia muito perdido na traumática leitura de "Ana Karenina".

Ao contrário de seu livro mais famoso, "A morte de Ivan Ilitch" é um conto fisicamente curto, de cerca de 70 páginas nesta edição de bolso, mas que porta uma mensagem a ser lida pelo resto da vida. E, aliás, é justo sobre essa releitura, mais da própria existência que do texto impresso, de que trata essa novela de 1886, cujas páginas continuam além da encadernação, dia a dia, em nosso viver desesperadoramente finito.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Resenha: "O duplo" (Fiódor M. Dostoiévski, 1846)

Editora 34 (2011), 256 páginas
"O amigo noturno não era senão ele mesmo - o próprio senhor Golyádkin, outro senhor Golyádkin, mas absolutamente igual a ele -, era, em suma, aquilo que se chama o seu duplo, em todos os sentidos..."

Estamos no ano de 1844, e o nosso jovem escritor Fiódor Dostoiévski escrevera o romance epistolar Gente Pobre, que foi aclamado pela crítica literária russa como sinal de uma revelação. Após publicação deste romance, Dostoiévski é alçado à celebridade literária, situação que, de certa forma, atrapalhará a avaliação das obras seguintes. E é esta obra, objeto da presente resenha, que será seu segundo trabalho. 

Um ano depois do sucesso do seu primeiro romance, temos O Duplo que refletirá o traço peculiar na obra do autor, que é a análise psicológica dos seus personagens. Todavia, tal fator que marcará seu estilo, não foi recebido muito bem pela crítica dessa vez. Os entusiastas da análise social presente em Gente Pobre olham enviesado para o enredo d´O Duplo, onde boa parte da narrativa se atém aos pensamentos e devaneios do protagonista.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Resenha: "Gente Pobre" (Fiódor M. Dostoiévski, 1846)


Ed. 34 (2009): 192 páginas
Quem tem medo de ler obras clássicas? E se essa obra clássica for de um escritor russo? O medo aumenta?  Então tenho boas notícias: li a obra "Gente Pobre", de Fiódor Dostoiévski e sobrevivi!! E, melhor ainda, gostei!! Queres saber como isto aconteceu? Vou te contar algumas pequenas coisas, só para teres ideia, pois saber mesmo só quando leres a obra. É uma sensação maravilhosa quando quebramos o mito das leituras inacessíveis. Eu garanto!

Para começar, vamos falar de Fiódor Dostoiévski, conhecido pelos romances "Crime e Castigo" e os "Irmãos Karamazóv" (deixemos essas obras para o futuro… neste momento daremos pequenos passos, certo?). Nascido em Moscou (Rússia), no dia 30 de outubro de 1821, filho de um médico que fora assassinado por seus próprios serviçais de sua pequena propriedade rural em 1839, sendo que no ano anterior sua mãe morrera de tuberculose. Assim, aos 18 anos, nosso escritor é órfão  e está fazendo parte da Escola de Engenharia Militar de São Petesburgo, na qual engressara em 1838.

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