sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Resenha: "1808" (Laurentino Gomes, 2007)

Ed. Planeta: 367 páginas
"Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil".

Laurentino Gomes, jornalista, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, já coloca na capa do livro informações a respeito da sua obra que nos fazem, no mínimo, ficarmos curiosos com o que será apresentado. Trata-se de conteúdo com o qual todo estudante já teve contato, sabendo sua trajetória e desfecho: a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, em fuga à investida de Napoleão Bonaparte na Europa. O diferencial, contudo, é o estilo da abordagem: o autor consegue transformar um evento histórico em algo "jornalístico", fazendo-nos sentir como se vivêssemos os acontecimentos naquele momento.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Resenha: "Há dois mil anos" (Chico Xavier, 1939)

FEB, 495 páginas
"A expiação não seria necessária no mundo, para burilamento da alma, se compreendêssemos o bem, praticando-o por atos, palavras e pensamentos" (Emmanuel)

Para o cético, a autoria desta obra cabe ao mineiro Francisco Cândido Xavier (1910 - 2002), de cujas mãos saíram mais de 400 obras, muitas das quais com tiragem de milhões de exemplares, portanto entre os títulos mais lidos da produção literária nacional. Dessa forma, sendo Chico Xavier o autor, por que então seu nome não figuraria na galeria dos grandes escritores brasileiros?

Para milhões de espíritas e simpatizantes, porém, "Há dois mil anos" foi produzido através de um fenômeno mediúnico chamado "psicografia", por meio do qual uma entidade espiritual se manifesta no plano material e dirige um veículo humano, o médium, para a escrita de suas ideias. Aliás, por esse motivo, Chico Xavier renunciou aos direitos autorais de todo seu trabalho porque "os livros não são meus, são obra dos espíritos".

Considerado um dos dez melhores romances espíritas do século XX, "Há dois mil anos" surpreende por seu valor literário e espiritual. De fato, a obra trata de acontecimentos do primeiro século, entre os anos 32 d.C e 79 d.C., cujos desdobramentos trazem ao primeiro plano dramas psicológicos intensos vividos por personagens marcados por tragédias em amplos aspectos da experiência humana (doença, crise conjugal, desvarios de sensualidade, cobiça, orgulho, vingança, etc.) mas também por culminâncias das potencialidades muitas vezes ignotas do Homem, na fidelidade, na amizade, no perdão e, acima de tudo, na conquista da fé.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

12ª Festa Literária de Paraty (FLIP) - 30 de Julho a 03 de Agosto

Com a presença de autores mundialmente respeitados, como Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm e Hanif Kureishi, a primeira Festa Literária Internacional de Paraty, realizada em 2003, inseriu o Brasil no circuito dos festivais internacionais de literatura. Ao longo de suas edições seguintes, a Flip ficou conhecida como um dos principais festivais literários do mundo, caracterizada não só pela qualidade dos autores convidados, mas também pelo entusiasmo do público e pela hospitalidade da cidade. Nos cinco dias de festa, a Flip realiza cerca de 200 eventos, que incluem debates, shows, exposições, oficinas, exibições de filmes e apresentações de escolas, entre outros, distribuídos em Flip . Programação Principal, FlipMais, FlipZona e Flipinha.

Composta de uma conferência de abertura e cerca de 20 mesas que reúnem para uma conversa informal convidados dos mais variados horizontes (escritores, cineastas, quadrinistas, historiadores, jornalistas e artistas plásticos, entre outros), a programação principal da Flip é realizada na Tenda dos Autores que possui um auditório com cerca de 850 lugares. Todos os eventos contam com tradução simultânea e são transmitidos na Tenda do Telão, com capacidade para cerca de 1.400 pessoas, e ao vivo, pela internet.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

DIVERSÃO, CULTURA E INTERATIVIDADE. TUDO JUNTO E MISTURADO.

A Bienal do Livro

A 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo acontecerá entre 22 e 31 de agosto de 2014 no pavilhão de Exposições do Anhembi. Com uma programação abrangente, o evento mescla literatura com diversão, negócios, gastronomia e cultura.

A Bienal reunirá as principais editoras, livrarias e distribuidoras do país. São cerca de 480 expositores participantes que apresentarão para 800 mil visitantes seus mais importantes lançamentos em um espaço total de 60 mil m².

sábado, 26 de julho de 2014

Resenha: "Uma história politicamente incorreta da Bíblia" (Robert J. Hutchinson)

Ed. Agir; 256 páginas
"Ao modelar a civilização - e aqui falamos da lei, do governo, da ciência, da mídia e da educação ocidentais -, a Bíblia deu formato ao mundo."

Publicado nos EUA em 2007, este livro é uma resposta concisa mas inteligente (e até malcriada!) a uma série de (des)informações que são divulgadas contra a Bíblia, e a religião em geral, que pervasivamente têm-se constituído na opinião politicamente correta (e chic!) sobre o livro que, além de sagrado para e base da fé de um terço da humanidade, também deu "formato ao mundo".

Embora breve (que são 256 páginas para abordar tão vasto e polêmico tema?), Hutchinson se vale duma escrita que torna o texto fartamente instrutivo, engatilhando para o leitor sinceramente interessado em ter uma visão equilibrada sobre a autenticidade, o papel e o valor das Escrituras, referências e vínculos que trarão a lume réplicas e contra-argumentos do outro prato muitas vezes silenciado e ridicularizado na balança dos debates.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Resenha: "Crônica de uma morte anunciada" (Gabriel García Márquez, 1981)

Crônica de uma morte anunciada é um livro curto, de fácil e rápida leitura, mas nem por isso deixa de ser uma construção fascinante, devido à narrativa brilhantemente executada e profundamente marcada pela poesia.

A obra inicia com a revelação, logo nas primeiras linhas, do seu esperado desfecho, mas, curiosamente, isso não prejudica sua capacidade de envolver o leitor até suas derradeiras páginas, na medida em que o suspense é deslocado para outros aspectos relacionados ao evento principal, a morte de Santiago Nasar.

A narrativa é contada em forma de reconstrução jornalística por um amigo de Santiago Nasar anos após o ocorrido e se desenvolve com a superposição de versões apresentadas pelas pessoas que estiveram próximas a ele no último dia de sua vida, a partir das quais vai se montando um quebra-cabeça cheio de incertezas, esquecimentos e contradições, cujas peças vão se encaixando pouco a pouco.

Aqui reside um dos pontos interessantes de Crônica de uma morte anunciada, a viagem pela memória coletiva e de como ela pode ser esquiva, ou até mesmo enganosa.

A trama dos irmãos Vicário para matar Santiago Nasar, motivada pela necessidade de resgatar a honra da família, embora premeditada e conhecida por toda comunidade, jamais será evitada, pois ninguém consegue alertar Santiago Nasar a tempo de salvá-lo de seu trágico fim, paradoxo sintetizado com maestria pelo autor na frase “A fatalidade nos faz invisíveis”.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Resenha: "Sidarta" (Hermann Hesse, 1922)

Ed. BestBolso; 144 páginas
"Assim, todos amavam Sidarta. A todos ele causava alegria. Para todos era fonte de prazer. Mas a si mesmo, Sidarta não dava alegria. Para si, não era nenhuma fonte de prazer."

A passagem acima é reveladora de um dos principais temas da obra de Hesse, pelo qual se tornou conhecido como "o autor da crise": a jornada do autoconhecimento através de dilemas existenciais. A esse respeito, sua própria vida proveu farto estofo de vicissitudes.

Quando morreu em 1962, Hesse era um dos autores alemães mais desprezados e esquecidos. Seus críticos diziam que "suas histórias eram uma colagem brega de baixo nível" e Die Zeit, famoso periódico alemão, afirmou que a obra de Hesse "não servia nem para vaso de flores". Nem o fato de ter sido laureado com o prêmio Nobel de Literatura em 1946, "por  seus escritos inspirados que, ao ganharem em audácia e profundidade, exemplificam os ideais clássicos do humanismo e a alta qualidade do estilo", poupou Hesse, até após sua morte, da animosidade da opinião pública. E essa dificuldade já vinha de muito tempo.

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