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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Resenha: "Carta a D. - história de um amor" (André Gorz, 2006)

Cosac Naify (2006): 80 páginas
“Preciso reconstruir a história do nosso amor para apreender todo o seu significado. Ela foi o que permitiu que nos tornássemos o que somos; um pelo outro, um para o outro. Eu lhe escrevo para entender o que vivi, o que vivemos juntos.”

Até o lançamento deste que foi seu último livro, o austríaco André Gorz (pseudônimo do jornalista e filósofo Gerhard Horst) era conhecido por suas obras nas áreas da filosofia e da sociologia, bem como por sua atuação política nos acontecimentos de Maio de 68 na França e em outros eventos marcantes da cultura deste país, onde se radicou.

Carta a D. transformou-o instantaneamente num enorme sucesso literário, com mais de cem mil exemplares vendidos.

O livro foi escrito para homenagear Dorine, sua esposa, com quem partilhou a vida por quase sessenta anos. Desde o início da década de 1990, Gorz vivia em retiro com a mulher, que sofria, há anos, de uma doença degenerativa.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Resenha: "O pequeno príncipe" (Antoine Saint-Exupéry, 1943)

Editora Agir: 96 páginas
Como resenhar uma obra que é tão conhecida? Até mesmo quem não tenha lido, lembra de alguma citação que foi dita ou escrita por alguém em algum lugar. Quem não sabe de memória as citações: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" e "(...) só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos."?

O fato de uma obra ser conhecida não significa que tenha sido efetivamente lida. Eis a motivação da resenha: despertar-te, estimado leitor, para a leitura desta obra. Para que não só saibas alguma passagem, mas para atiçar em ti o desejo de conhecer por completo a história desse menino, que surge no meio do deserto e leva um aviador maduro e solitário a repensar seus conceitos de vida. A leitura é rápida e agradável, não vais te arrepender; e ainda voltarás para agradecer a dica!

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Resenha: Terra dos homens (Antoine de Saint-Exupéry, 1939)

Ed. Nova Fronteira (2014), 160 pág.
"Quando temos consciência do nosso papel, mesmo o mais obscuro, só então somos felizes. Só então podemos viver em paz e morrer em paz, pois o que dá um sentido à vida dá um sentido à morte." (Saint-Exupéry)

"No oceano da escuridão" de tantas distrações depauperadoras do mundo moderno, aquele que lê esta obra septuagenária "se enriquece com a descoberta de outras consciências" - e o milagre da luz de uma consciência faz 'os homens se olharem com um grande sorriso'. 

Se faço uma paráfrase das palavras do próprio autor para apresentar seu livro, é que me falta a arte de sua concepção, pois o pensamento de Antoine Marie Jean-Baptiste Roger de Saint-Exupéry, um piloto de linha, voava mais alto que seu avião.

Aficionado por aviação,  Exupéry escreve em "Terra dos homens" uma apologia ao poder transformador do trabalho, especialmente naquilo em que, "ao se medir com um obstáculo, o homem aprende a se conhecer", e em que as relações humanas - o único "luxo verdadeiro" - ressaltam a moral de que "a grandeza de uma profissão é, antes de tudo, unir os homens".

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Resenha: "O estrangeiro" (Albert Camus, 1942)

Ed. Record, 122 páginas
"Compreendi, então, que um homem que houvesse vivido um único dia, poderia sem dificuldade passar 100 anos numa prisão. Teria recordações suficientes para não se entediar" (Meursault, protagonista de "O estrangeiro").

Este é o primeiro romance do filósofo franco-argelino Albert Camus (pronuncia-se /albérr kãmü/, com "biquinho"), laureado com o prêmio Nobel de 1957 "por sua importante produção literária que, com clarividente seriedade, ilumina os problemas da consciência humana em nossos tempos". É considerado uma das mais espetaculares estreias literárias de seu século.

O enfoque de Camus é corriqueiramente classificado como existencialista, o que o associa, a contra-gosto, a Sartre, embora sempre referisse a si mesmo como "filósofo do absurdo". Produzindo nessa linha, Camus espera que os paradoxos propostos em sua obra promovam o debate público, o que, no caso de "O estrangeiro", gira em torno da questão quanto a se o alheamento de uma pessoa aos sentimentos de seu tempo e cultura permitem-nos pelo menos presumir sua inocência.

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